quinta-feira, 18 de março de 2010

Paraná pode se tornar peça chave na eleição presidencial

A última pesquisa CNI/Ibope revela que se tornou ainda mais apertada a vantagem do tucano José Serra sobre a candidata do PT, apoiada por Lula, Dilma Rousseff.

Apenas cinco pontos separam os dois candidatos. Serra tem 35% das intenções de voto e Dilma 30%. A tendência revelada pela pesquisa é de queda para Serra, que tinha 38% em novembro, e subida para Dilma, que registrava 17% em novembro.

Os demais candidatos, Ciro Gomes, do PPS, e Marina Silva, do PV, vão perdendo fôlego à medida que a eleição fica claramente polarizada entre os candidatos do PSDB e do PT. Ciro tem 11% das intenções de voto e Marina tem 6%.

O que se desenha é uma eleição disputada voto a voto e muito mais dura do que se antevia até tempos atrás. A pesquisa revela ainda que o Sul não é mais uma fortaleza inexpugnável de Serra e que, no Paraná, o governador de São Paulo vai ter que contar com um puxador de votos popularíssimo, como prefeito Beto Richa, e, talvez ainda, com o apoio do governador Roberto Requião.

A presença desse tipo de apoio, constituído por políticos bons de voto, poderá ter um papel decisivo nessa eleição. Uma vitória arrasadora no Paraná pode ter efeito decisivo na eleição presidencial.

Dos três Estados do Sul, o Paraná é que o reúne as melhores condições para que Serra consiga uma grande vantagem sobre Dilma Rousseff. O Estado é tradicionalmente avesso ao PT (deu vitória para Serra em 2002 e para Alckmin em 2006) e é o único da região em que os aliados do candidato tucano não estão envolvidos em escândalos.

É o caso do Rio Grande do Sul, onde a governadora Yeda Crusius, do PSDB, governa em meio a denúncias, escândalos e ameaças de CPIs sofrendo desgastes enormes que contaminam seu partido. Em Santa Catarina, o vice-governador Leonel Pavin, também do PSDB e pré-candidato ao governo, teve seu nome envolvido em denúncias e convive com a ameaça de cassação de mandato.

Tanto no Rio Grande do Sul quanto em Santa Catarina, Serra vai ter de contar com o próprio prestígio, não vai poder contar com reforço das maiores lideranças locais de seu partido. São líderes que, hoje, mais tiram votos do que agregam.

O detalhamento da pesquisa do Ibope revela um quadro realmente complexo no Sul. A pesquisa espontânea dá um empate entre Serra e Dilma. Os dois têm 15% das intenções de voto quando o entrevistador não apresenta o nome dos candidatos para o eleitor.

Lula, que não pode disputar, é o mais lembrado. Nada menos que 20% dos entrevistados mencionam o nome do presidente espontaneamente quando são perguntados sobre em que candidato votariam para presidente.

Curiosamente, a presença de Ciro Gomes no páreo, que o PT tenta a todo custo erradicar, ajuda Dilma em lugar de prejudicar. Quando Ciro é eliminado da disputa, como acontece nas projeções de segundo turno entre Serra e Dilma, a vantagem do tucano sobre a petista cresce de 5 para 7 pontos percentuais: 47% a 40%.

Ou seja, se Ciro aceitar a proposta do PT de desistir da candidatura presidencial para disputar o governo de São Paulo, quem deve herdar a maior parte dos votos do PSB será Serra e não Dilma.

A troca de candidato do PSDB seria um péssimo negócio para os tucanos. Dilma passaria a liderança com 39% dos votos, ficando Aécio com menos da metade, 18%.

A pesquisa do Ibope revela ainda que 49% dos entrevistados poderiam votar num candidato apoiado por Lula e que 61% dos eleitores conhecem o candidato apoiado pelo presidente.

Segundo o Ibope, 33% dos eleitores da Região Sul votaria com certeza em Dilma Roussef, 30% poderia votar e 25% não votaria nesse candidato de jeito nenhum.

Com relação a Serra as certezas são menos definidas, o que reforça a necessidade de cabos eleitorais fortes para dar sustentação à candidatura do tucano.

O número de eleitores consolidados de Serra no Sul é de 29%. Esse é o percentual que votará nele com certeza, em qualquer circunstância. Já 44% dos eleitores poderiam votar em Serra e 19% não votaria nele de jeito nenhum.

Ou seja, a disputa vai ser duríssima e travada urna por urna. Se somarmos o potencial máximo dos candidatos (soma dos votos tidos como certos mais aqueles que admitem votar naquele candidato) temos uma disputa apertadíssima. Dilma poderia fazer até 63% dos votos e Serra 64%.