A segurança pública está fora de controle em Curitiba. Os vereadores Tico Kuzma e Celso Torquarto, os dois do PSB, decidiram pedir providências ao governador Beto Richa.
Eles denunciam a existência de um morticínio diário no bairro Novo Mundo. Mas o bairro não é o único a ser submetido à violência diária dos marginais, que estão cada vez mais ousados.
Em Curitiba inteira a situação é dramática. Nos últimos 90 dias foram assassinadas 447 pessoas, o que corresponde a cinco mortes violentas por dia. Uma situação inaceitável sob qualquer parâmetro em qualquer lugar que se pretende civilizado.
O mês de março terminou com 141 homicídios, ou 4,5 por dia ou um assassinato a cada seis horas. A violência avança de forma particularmente assustadora nas regionais do Pinheirinho e da Cidade Industrial, aonde o número de homicídios vem crescendo.
Os vereadores Kuzma e Torquarto solicitam ao governador Beto Richa que determine uma intervenção planejada das polícias Civil e Militar no Novo Mundo.
A proposta, segundo garantem, atende reivindicações de moradores e comerciantes da região que, de acordo com os parlamentares, não aguentam mais a ação de marginais e traficantes.
“Chegamos ao fim do poço. Na semana passada, moradores receberam bilhetes em suas casas ordenando toque de recolher e até algumas escolas suspenderam as aulas por causa da violência no bairro”, desabafou Kuzma.
Torquato também comentou que, somente neste ano, várias pessoas já foram assassinadas no bairro. Mas a ousadia dos bandidos não se limita as mortes cada vez mais frequentes.
“Além dos assassinatos, tivemos até uma noiva que sequestrada na porta da igreja. Os bandidos não têm mais medo de nada”, falou o vereador.
Em requerimento que será encaminhado ao governador, os vereadores solicitam o planejamento de ação estratégica e de inteligência que atinja todo o bairro e possa desarmar os bandidos, identificando e prendendo os traficantes e marginais, para que a tranquilidade volte ao bairro.
Ainda no documento, os vereadores sugerem que o Paraná importe e implante em Curitiba uma solução adotada no Rio de Janeiro para combater a violência dos marginais em regiões determinadas da cidade, como é o caso do bairro Novo Mundo.
Sugerem a criação de uma Unidade de Polícia Pacificadora no bairro, semelhante à conhecida UPP, projeto da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, que instituiu polícias comunitárias em locais de alta criminalidade como forma de desarticular quadrilhas que antes controlavam estes territórios como estados paralelos.
“Não podemos ficar parados esperando. Precisamos urgentemente de ações diferentes para que a comunidade tenha tranquilidade e segurança”, finalizou Kuzma.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Escândalos envolvendo Ducci formam uma sopa de letrinhas
O prefeito Luciano Ducci está dando nova conotação para expressão “a cada enxadada, uma minhoca”. No caso da prefeitura de Curitiba, cada sigla ligada à prefeitura de Curitiba, vem protagonizando um novo escândalo.
Na sopa de letrinhas que envolvem siglas como a Consilux, Cavo, Urbs, ONGs e Oscips pilantras, como Adesobras e Ibidec, até empresas que fornecem merenda escolar para creches e escolas de Curitiba, como a SP Alimentação, o ponto em comum é o escândalo envolvendo desvio de dinheiro público e o elo é a Prefeitura de Curitiba comandada por Luciano Ducci.
Só a crença que o prefeito da capital do Paraná é singularmente ingênuo e atrai, por isso, inocentemente, uma leva impressionante de malfeitores, pode explicar essa reunião excepcional de meliantes, empresas que operam com meios escusos ou simplesmente desviam dinheiro público sem que ninguém se dê conta, poderia explicar a chuva de denúncias gravíssimas sobre as empresas que prestam serviços à administração de Luciano Ducci sem que ele tenha qualquer espécie de conhecimento ou conivência.
A Consilux, empresa que opera com vigilância eletrônica de trânsito, só foi desmascarada porque o programa Fantástico da Rede Globo decidiu investigar a “máfia dos radares”. Quando a denúncia explodiu Ducci rompeu o contrato com a empresa. Mas o fez de forma tão inepta que concedeu um prêmio aos denunciados. Vão ganhar tudo o que estava previsto no contrato firmado com o município sem que tenham que prestar serviço algum. Um valor que supera os R$ 11 milhões.
Na terça-feira a Polícia Federal desarticulou e prendeu os responsáveis por um esquema de desvio de dinheiro público por meio de contratos com Oscips (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público). Dez prisões foram feitas em Curitiba. Elas envolviam gente responsável pelas Oscips Adesobras e Ibidec – as duas, aliás, são uma única instituição com dois nomes de fantasia para despistar. Adivinhem com quem elas firmaram contratos extremamente lucrativos? Quem citou a prefeitura de Curitiba, comandada por Luciano Ducci, acertou em cheio.
Sem poder negar seu vínculo com as Oscips pilantras a prefeitura de Curitiba afirmou em nota oficial que tem contratos resultantes de licitações públicas com as Oscips Adesobras e Ibidec, investigadas pela Polícia Federal. Os contratos, segundo a nota, são para fornecimento de mão de obra para os Liceus de Ofícios, para o programa Mulheres da Paz, ligado ao Pronasci, e para a contratação de educadores ambientais e técnicos sociais em dois projetos de habitação da Cohab. A prefeitura afirma ainda que todos os contratos foram licitados e os serviços foram ou têm sido prestados normalmente. A soma total dos contratos da prefeitura da capital com a Ibidec e a Adesobras é de R$ 5,938 milhões.
A explicação da prefeitura de Curitiba sobre a existência de licitações é bastante incompleta, para dizer o mínimo. O de¬¬legado da PF, Fabiano Bor¬¬¬dignon, que conduziu a investigação, explica que foram encontrados vícios na forma como foi feita a contratação das Oscips.
“Ve¬¬rificamos que as três empresas que participavam do processo licitatório eram de pessoas ligadas e próximas aos diretores das duas Oscips (Ibemec e Adesobras, que ao fim e ao cabo, são a mesma empresa). Além disso, detectamos os mesmos erros de português nas três propostas, o que caracteriza que uma única pessoa foi a responsável pelas propostas”, disse o delegado à reportagem da Gazeta do Povo.
Firmados os contratos, o dinheiro era repassado às prefeituras e pelo Ministério da Justiça para que os serviços fossem iniciados. A PF concluiu, no entanto, que, em vez de aplicar os recursos, o dinheiro foi usado para pagar despesas e salários aos diretores das Oscips. Foram pelo menos R$ 120 mil destinados anualmente para pagamento de salários dos diretores das organizações.
Naturalmente não se descarta a suspeita que uma boa parte do dinheiro público arrecadado tenha sido destinado a irrigar setores do poder público que permitiram que essa bandalheira prosperasse. A Polícia Federal vai se concentrar agora em rastrear e identificar as pessoas que se beneficiaram com a corrupção das Oscips.
Na sopa de letrinhas que envolvem siglas como a Consilux, Cavo, Urbs, ONGs e Oscips pilantras, como Adesobras e Ibidec, até empresas que fornecem merenda escolar para creches e escolas de Curitiba, como a SP Alimentação, o ponto em comum é o escândalo envolvendo desvio de dinheiro público e o elo é a Prefeitura de Curitiba comandada por Luciano Ducci.
Só a crença que o prefeito da capital do Paraná é singularmente ingênuo e atrai, por isso, inocentemente, uma leva impressionante de malfeitores, pode explicar essa reunião excepcional de meliantes, empresas que operam com meios escusos ou simplesmente desviam dinheiro público sem que ninguém se dê conta, poderia explicar a chuva de denúncias gravíssimas sobre as empresas que prestam serviços à administração de Luciano Ducci sem que ele tenha qualquer espécie de conhecimento ou conivência.
A Consilux, empresa que opera com vigilância eletrônica de trânsito, só foi desmascarada porque o programa Fantástico da Rede Globo decidiu investigar a “máfia dos radares”. Quando a denúncia explodiu Ducci rompeu o contrato com a empresa. Mas o fez de forma tão inepta que concedeu um prêmio aos denunciados. Vão ganhar tudo o que estava previsto no contrato firmado com o município sem que tenham que prestar serviço algum. Um valor que supera os R$ 11 milhões.
Na terça-feira a Polícia Federal desarticulou e prendeu os responsáveis por um esquema de desvio de dinheiro público por meio de contratos com Oscips (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público). Dez prisões foram feitas em Curitiba. Elas envolviam gente responsável pelas Oscips Adesobras e Ibidec – as duas, aliás, são uma única instituição com dois nomes de fantasia para despistar. Adivinhem com quem elas firmaram contratos extremamente lucrativos? Quem citou a prefeitura de Curitiba, comandada por Luciano Ducci, acertou em cheio.
Sem poder negar seu vínculo com as Oscips pilantras a prefeitura de Curitiba afirmou em nota oficial que tem contratos resultantes de licitações públicas com as Oscips Adesobras e Ibidec, investigadas pela Polícia Federal. Os contratos, segundo a nota, são para fornecimento de mão de obra para os Liceus de Ofícios, para o programa Mulheres da Paz, ligado ao Pronasci, e para a contratação de educadores ambientais e técnicos sociais em dois projetos de habitação da Cohab. A prefeitura afirma ainda que todos os contratos foram licitados e os serviços foram ou têm sido prestados normalmente. A soma total dos contratos da prefeitura da capital com a Ibidec e a Adesobras é de R$ 5,938 milhões.
A explicação da prefeitura de Curitiba sobre a existência de licitações é bastante incompleta, para dizer o mínimo. O de¬¬legado da PF, Fabiano Bor¬¬¬dignon, que conduziu a investigação, explica que foram encontrados vícios na forma como foi feita a contratação das Oscips.
“Ve¬¬rificamos que as três empresas que participavam do processo licitatório eram de pessoas ligadas e próximas aos diretores das duas Oscips (Ibemec e Adesobras, que ao fim e ao cabo, são a mesma empresa). Além disso, detectamos os mesmos erros de português nas três propostas, o que caracteriza que uma única pessoa foi a responsável pelas propostas”, disse o delegado à reportagem da Gazeta do Povo.
Firmados os contratos, o dinheiro era repassado às prefeituras e pelo Ministério da Justiça para que os serviços fossem iniciados. A PF concluiu, no entanto, que, em vez de aplicar os recursos, o dinheiro foi usado para pagar despesas e salários aos diretores das Oscips. Foram pelo menos R$ 120 mil destinados anualmente para pagamento de salários dos diretores das organizações.
Naturalmente não se descarta a suspeita que uma boa parte do dinheiro público arrecadado tenha sido destinado a irrigar setores do poder público que permitiram que essa bandalheira prosperasse. A Polícia Federal vai se concentrar agora em rastrear e identificar as pessoas que se beneficiaram com a corrupção das Oscips.
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