Vai perder dinheiro quem apostar que depois da saída de Roberto Requião do governo do Paraná haverá uma ruptura com seu vice, Orlando Pessuti, que vai assumir o governo do Estado, ou ainda que haverá uma trombada do governador com o comando do PMDB.
Depois de muita intriga, futrica, fofoca, especulações, boatos e insinuações, que fizeram a alegria dos incautos, o vice Pessuti veio a público colocar as coisas em sua devida perspectiva.
Para começar, Pessuti tranqüilizou os integrantes do primeiro e segundo escalão do governo alvejados por campanhas terroristas sobre “limpeza” ou a promoção de uma “noite dos facas longas” nas fileiras de auxiliares tidos como mais leais a Requião.
Pessuti deixou claro que não vai haver nada disso. Afirmou que não pretende fazer mudanças significativas na equipe que comanda o governo e as mudanças que porventura vier a fazer o fará depois de uma consulta a Requião, com quem pretende continuar jogando afinado a exemplo do que fez nos últimos oito anos no governo e na mesma parceria política que mantém nos últimos 30 anos.
Pessuti adiantou que, a princípio, não mexerá na equipe de governo, salvo – é evidente – naqueles cargos que vão ficar vagos porque seus titulares vão deixar o governo para se candidatar a algum cargo ou para acompanhar Roberto Requião trabalhando em sua campanha para o Senado.
Na mesma linha de desmonte a intrigas e inconseqüências políticas foi o deputado Waldir Pugliesi, presidente do PMDB. Pugliesi, que segundo o noticiário político estaria sendo alvo de um suposto movimento para tirá-lo do posto para que o cargo fosse entregue a Requião, também resolveu colocar as coisas em seus devidos lugares.
Pugliesi diz que quem está apostando em uma briga, que não existe, entre ele e o governador, não conhece seu envolvimento e amizade de muitas décadas com Requião.
Lembrou que foi reeleito presidente do partido por unanimidade. Assegurou que Requião possui no PMDB e na política do Estado uma proeminência única, que prescinde de cargos e posições formais para exercer sua liderança.
Manobras para promover intrigas entre Requião e Pessuti ou entre Requião e Pugliesi se inscrevem num mesmo cenário de malevolência da oposição e na atitude inconseqüente de aliados que pretendem ser mais realistas que o rei.
Requião não precisa, de fato, da Presidência do PMDB para dar as cartas no partido onde possui o controle do diretório e uma liderança, calcada em prestígio pessoal e em votos, que ninguém deverá se propor a afrontar.
O PMDB do Paraná vive um momento de avaliação um tanto temerosa pela perspectiva de um encolhimento de bancada. A última coisa a fazer em um momento assim seria afrontar o maior puxador de votos que o partido dispõe.
Com relação a Pessuti, quem aposta que se tornará um novo Mário Pereira (vice de Requião que entrou em conflito com o titular quando este deixou o governo para disputar o Senado em 1994), comete vários equívocos pessoais e históricos.
O primeiro deles é esquecer que Pessuti não é nenhum Mário Pereira. O futuro governador é conhecido por ser um político franco, leal e que é marcado pela ausência de dissimulação em seu estilo de agir e de falar.
A rigor, é possível dizer que, depois de 3 de abril, Pessuti vai precisar mais de Requião do que este de Pessuti. Como o governador detém o controle total do PMDB, sua candidatura ao governo vai depender – em última análise - da benção de Requião.
Um eventual comportamento hostil de Pessuti a Requião – ao estilo Mário Pereira – poderia ser respondido com um veto à candidatura de Pessuti ao Governo. Essa candidatura está nas mãos do PMDB e, portanto, de Requião.
Mal comparando, a situação lembra um pouco a de Rafael Greca em 2002. Greca tentou impor sua candidatura ao governo do Estado para suceder Jaime Lerner.
Foi derrotado por uma manobra dos caciques do PFL, liderados por Lerner, que decidiram, na convenção, votar antes se o partido teria um candidato próprio. A resposta foi não. O partido decidiu votar por uma aliança com o PSDB e Greca ficou sobrando.
Tanto Pessuti quanto Pugliesi conhecem bem esses exemplos históricos para que caiam na tentação de repetir os mesmos equívocos.
quinta-feira, 11 de março de 2010
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